A comovente história do poeta mendigo resgatado graças ao Facebook

Durante mais de 30 anos, em uma esquina da Av. Pedroso de Moraes, em São Paulo, todo mundo evitou aproximar-se do homem maltrapilho, de cabelo comprido e barba longa, que vivia cercado de papéis e coberto por sacos de lixo.
 
Esse homem é
Raimundo Arruda Sobrinho, que hoje tem 75 anos, e os papéis eram suas "Mini Páginas", todas cortadas do mesmo tamanho, com poemas e aforismos escritos por ele e depois catalogados. O lugar onde ele costumava ficar foi batizado de "Ilha" por ele mesmo.
 
Raimundo, que se apresenta como "
o Condicionado", nasceu na zona rural de Goiás e esteve longe da sua família durante 51 anos – 34 deles vividos nas ruas, em São Paulo. Apesar das tentativas de tirá-lo de lá, sua gentileza e educação não o permitiam: "A solução não é dividir o pão, mas ter as condições para que cada um possa comprar seu próprio pão", escreveu.
 
Em 2012, depois de muito tempo morando no mesmo lugar, Raimundo recebeu uma visita que mudaria sua vida. Shalla Monteiro, que morava perto dali, decidiu conhecer a história daquele "vizinho" misterioso. Foi assim que ela começou a colecionar suas "Mini Páginas".
 
Comovida pelo seu trabalho, ela decidiu divulgá-lo por meio do
Facebook, buscando realizar um sonho de Raimundo: que lessem seus escritos. Hoje, a página tem quase 100 mil seguidores.
 
"Foi uma surpresa absoluta e uma alegria. Em muito pouco tempo, a família de Raimundo entrou em contato e, a partir daí, nossos esforços se voltaram para o restabelecimento dos laços familiares e sua inclusão social", explicou Shalla ao site Terra. "Tive a honra e o privilégio de conhecê-lo, de visitá-lo durante quase um ano e ser sua amiga", contou. Em 23 de abril de 2013, Raimundo finalmente deixou sua "Ilha" e voltou a Goiás.
 
O
mendigo poeta conviveu com as adversidades mais variáveis durante quase a metade da sua vida, sofrendo e subsistindo ao mesmo tempo com a realidade que lhe oferecia a gigante cidade de São Paulo.
 
Tanto sua história quanto os escritos produzidos por ele ao longo dessa tortuosa "travessia" foram registrados no "Livro do Raimundo", que está na fase de edição e foi dirigido pela própria Shalla.
 
"Recebi e-mails do mundo inteiro oferecendo ajuda para poder publicá-lo e perguntando quando será lançado. Estou respondendo e analisando o que recebemos para que, junto com ele, possamos escolher o melhor caminho", escreveu Shalla no Facebook.
 
"Esta é uma grande prova de que tudo é possível e de que não importa quão difíceis sejam nossas condições de vida: sempre é possível melhorá-la", afirmou Shalla.
 
(Artigo publicado originalmente por
El Heraldo)