Papa em Via Sacra: na cruz, Jesus carrega os nossos medos

O Papa Francisco afirmou hoje (26) durante a Via Sacra da JMJ, em Copacabana, que Jesus continua a carregar em sua cruz os sofrimentos de cada pessoa, entregando-lhe em contrapartida o seu amor inabalável, que conduz a olhar o outro com misericórdia.

 

O Papa chegou a Copacabana um pouco depois das 17h. Circulou no papamóvel pela Avenida Atlântica, onde foi acolhido por uma multidão ainda maior que a de ontem, na Festa de Acolhida, que teve público estimado em 1 milhão de pessoas.

 

A Via Sacra teve um trajeto de 900 metros na Avenida Atlântica, sendo encenada por 20 atores e 206 voluntários. Enfocou como é tradição o mistério do sofrimento de Cristo em seu caminho de crucificação, relatando também os problemas atuais da juventude.

 

Em seu discurso, Francisco afirmou que “Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos”.

 

“Com a Cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga; nela Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida”.

 

Em sua Cruz “Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho”.

 

“Na Cruz de Cristo, está o sofrimento, o pecado do homem, o nosso também, e Ele acolhe tudo com seus braços abertos, carrega nas suas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida.”

 

O Papa então perguntou: “o que foi que a Cruz deixou naqueles que a viram, naqueles que a tocaram? O que deixa em cada um de nós?”

 

“Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos dá a força para poder levá-lo, entra também na morte para derrotá-la e nos salvar.”

 

“Na Cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Queridos jovens, confiemos em Jesus, abandonemo-nos totalmente a Ele.”

 

Segundo o Papa, a Cruz de Cristo “também nos convida a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão”.

 

“Queridos amigos, a Cruz de Cristo nos ensina a ser como o Cireneu, que ajuda Jesus levar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura. E você como é? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria?”

 

Momento marcante

 

A Via Sacra foi sem dúvida um dos grandes eventos da JMJ Rio2013. Um momento de fé, amor e compaixão pelos jovens, com uma linguagem contemporânea que dialogou com questões do mundo atual da juventude.

 

Passado e presente do cristianismo se misturaram na Avenida Atlântica. Ocupando aproximadamente 900 metros do canteiro central da Avenida, as estações da Via Sacra de Jerusalém, também conhecida como Via Dolorosa ou Via Crucis, fizeram referência a 14 temas diferentes: “jovem missionário”, “jovem convertido”, “jovem de comunidade de recuperação”, “jovem falando em nome das mães”, “seminarista”, “religiosa que luta pela vida (contra o aborto)”, “casal de namorados”, “jovem falando pelas mulheres que sofrem”, “estudante cadeirante”, “jovem das redes sociais”, “presidiário ou jovem da pastoral penal”, “jovem com doença terminal”, “jovem deficiente auditivo” e “jovens da África, América do Norte, da América Latina e do Caribe, da Europa, da Ásia e da Oceania”.

 

Todos esses temas foram representados em um cenário que remontou à cidade antiga de Jerusalém, comum percurso usado nas procissões do século XVI. Segundo o diretor artístico da JMJ, Ulysses Cruz, este foi o cenário escolhido porque possui marcos históricos que fazem parte da tradição católica.

 

“A Via Sacra data dessa época. Durante os séculos, ela foi sofrendo modificações, mas sua essência é a que conhecemos hoje. As infinitas variações são interpretações artísticas criadas pelo mundo, mas o que existe de mais próximo da verdade é essa”, afirmou.

 

As cenas da Via Sacra foram representadas por atores voluntários e personalidades católicas, totalizando cerca de 500 pessoas.

 

(Com JMJ Rio2013)